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12:19:21, TERRA_CATEGORIES: Histórias do Futebol. TERRA_POSTED_BY Mauro Y. Generali kinjo
Histórias do Futebol - Parte 3
Almir Pernambuquinho - A Rebeldia do Futebol
Almir foi um dos jogadores mais polêmicos do futebol brasileiro. Anjo para uns. Demônio para outros. Não gostava nem de perder treino. Começou nos juvenis do Sport Recife e foi para o Vasco da Gama em 1957. Era um garoto que não bebia nem fumava. No final de sua carreira, Almir gostava de perguntar – Porque fui um marginal ? Marginal era eu, um garoto educado em colégio religioso ou os caras que me davam “bolinha” ? A imprensa não queria saber e, em todos os episódios que Almir se envolveu foi chamado de marginal. E foram muitos esses episódios. Almir quebrou a perna do zagueiro do América Hélio. Brigou na final do mundial de clubes no jogo Santos e Milan. Na final do campeonato carioca entre Flamengo e Bangú. No campeonato sul-americano de seleções quando jogavam brasileiros e uruguaios. Ele nunca escondeu que tomava “bolinha”.
Foi contratado pelo Corinthians como o Pelé branco. Sua passagem pelo futebol paulista foi muito ruim. Boicotado pelos jogadores corinthianos, casou com pouco tempo de namoro, e teve sua vida familiar comprometida pela vida de boêmio. Mas, sua mulher segurou a barra e continuou ao lado de Almir por muitos anos. Por outro lado amadureceu, começou a sentir o submundo do futebol. Do Corinthians foi para o Boca Jrs. jogar ao lado dos brasileiros Orlando Peçanha, Dino Sani, Edson, Maurinho e Paulo Valentim. Sua última partida pelo clube argentino foi contra Chacarita Jrs. e Almir terminou brigado em campo e foi expulso. Na Itália, jogou na Fiorentina por seis meses. Como estava contundido e sua recuperação foi difícil por causa do frio, foi emprestado ao Gênova, onde a cidade era mais quente e poderia se recuperar mais rápido. Mesmo recuperado, não se deu muito bem no futebol italiano.
Voltou ao Brasil jogando pelo Santos. Com vinte e sete anos de idade chegava ao Flamengo como um veterano. Estava saturado de conhecimento do futebol, dentro e fora do campo. Sabia distinguir o cartola, que faz do futebol uma forma de promoção pessoal, e o dirigente que trabalhava por amor ao clube. Depois de uma briga com o treinador Flávio Costa, foi para o América onde encerrou sua carreira. Para variar, em seu ultimo jogo no clube de Campos Sales, acabou brigando com todo mundo, num jogo contra o Olaria no campo da rua Bariri. Tudo começou entre Sabará e Almir. Foi uma guerra. Todo mundo brigou. Os pais sempre queriam que ele voltasse ao Recife. Almir preferia permanecer em Copacabana que, pelas suas belezas naturais, atraia o pernambuquinho.
Quando abandonou o futebol Almir ficou sem fazer nada. Só sabia jogar futebol. A ociosidade era o grande problema para ele. Passava o tempo longe dos campo, tomando cerveja com os amigos em Copacabana onde morava. Por trás do amor que tinha pelo Rio de Janeiro e Copacabana, escondia um drama que só os amigos mais íntimos podiam notar. Uma nostalgia, uma solidão que o atacava no meio da noite e que fazia ter o seu apartamento cheio de amigos, dormindo pelos cantos. Quando as férias escolares se aproximavam, Almir era um novo homem. Almirzito, seu filho, passava alguns meses com o pai. Se quando jogava, Almir fazia farras e passava noites sem dormir. Depois que parou, ninguém via o pernambuquinho na rua depois da meia noite. E foi as 14 horas e 30 minutos do dia 6 de fevereiro de 1973, no Bar Rio Jerez, em Copacabana, que uma bala atirada pelo português Artur Garcia Soares atingiu Almir na cabeça, com hemorragia das meninges e destruição parcial do tecido nervoso cerebral. Uma morte brutal, consumada com requintes de perversidade. O assassino não lhe deu oportunidade de defesa e o matou por motivo fútil. Uma discussão de bar que não teria maiores conseqüências se o português não estivesse armado. Artur Garcia Jerez ainda matou com dois tiros um amigo de Almir, o comerciante Alberto Ribeiro, e feriu o agente de investimento Elói de Lima, quando este tentava evitar sua fuga. Sepultado no Cemitério São João Batista, Almir recebeu as homenagens de amigos e familiares. Dona Dedé, mãe de Almir, perguntava junto ao corpo do filho: “Meus Deus, para que tanta glória ? Para que tanta glória em tão pouco tempo e um tempo tão longo de separação ? Preferia meu filho na obscuridade. Talvez assim ele ainda estivesse ao meu lado. A glória me roubou meu Almir”.
A foto mostra Almir indo para cima de 5 jogadores do Bangu, depois de terminar a partida, Almir tentou "melar" a volta olímpica do time no Carioca de 66.
06.11.06
Histórias do Futebol - Parte 3
Almir Pernambuquinho - A Rebeldia do Futebol
Almir foi um dos jogadores mais polêmicos do futebol brasileiro. Anjo para uns. Demônio para outros. Não gostava nem de perder treino. Começou nos juvenis do Sport Recife e foi para o Vasco da Gama em 1957. Era um garoto que não bebia nem fumava. No final de sua carreira, Almir gostava de perguntar – Porque fui um marginal ? Marginal era eu, um garoto educado em colégio religioso ou os caras que me davam “bolinha” ? A imprensa não queria saber e, em todos os episódios que Almir se envolveu foi chamado de marginal. E foram muitos esses episódios. Almir quebrou a perna do zagueiro do América Hélio. Brigou na final do mundial de clubes no jogo Santos e Milan. Na final do campeonato carioca entre Flamengo e Bangú. No campeonato sul-americano de seleções quando jogavam brasileiros e uruguaios. Ele nunca escondeu que tomava “bolinha”.
Foi contratado pelo Corinthians como o Pelé branco. Sua passagem pelo futebol paulista foi muito ruim. Boicotado pelos jogadores corinthianos, casou com pouco tempo de namoro, e teve sua vida familiar comprometida pela vida de boêmio. Mas, sua mulher segurou a barra e continuou ao lado de Almir por muitos anos. Por outro lado amadureceu, começou a sentir o submundo do futebol. Do Corinthians foi para o Boca Jrs. jogar ao lado dos brasileiros Orlando Peçanha, Dino Sani, Edson, Maurinho e Paulo Valentim. Sua última partida pelo clube argentino foi contra Chacarita Jrs. e Almir terminou brigado em campo e foi expulso. Na Itália, jogou na Fiorentina por seis meses. Como estava contundido e sua recuperação foi difícil por causa do frio, foi emprestado ao Gênova, onde a cidade era mais quente e poderia se recuperar mais rápido. Mesmo recuperado, não se deu muito bem no futebol italiano.
Voltou ao Brasil jogando pelo Santos. Com vinte e sete anos de idade chegava ao Flamengo como um veterano. Estava saturado de conhecimento do futebol, dentro e fora do campo. Sabia distinguir o cartola, que faz do futebol uma forma de promoção pessoal, e o dirigente que trabalhava por amor ao clube. Depois de uma briga com o treinador Flávio Costa, foi para o América onde encerrou sua carreira. Para variar, em seu ultimo jogo no clube de Campos Sales, acabou brigando com todo mundo, num jogo contra o Olaria no campo da rua Bariri. Tudo começou entre Sabará e Almir. Foi uma guerra. Todo mundo brigou. Os pais sempre queriam que ele voltasse ao Recife. Almir preferia permanecer em Copacabana que, pelas suas belezas naturais, atraia o pernambuquinho.
Quando abandonou o futebol Almir ficou sem fazer nada. Só sabia jogar futebol. A ociosidade era o grande problema para ele. Passava o tempo longe dos campo, tomando cerveja com os amigos em Copacabana onde morava. Por trás do amor que tinha pelo Rio de Janeiro e Copacabana, escondia um drama que só os amigos mais íntimos podiam notar. Uma nostalgia, uma solidão que o atacava no meio da noite e que fazia ter o seu apartamento cheio de amigos, dormindo pelos cantos. Quando as férias escolares se aproximavam, Almir era um novo homem. Almirzito, seu filho, passava alguns meses com o pai. Se quando jogava, Almir fazia farras e passava noites sem dormir. Depois que parou, ninguém via o pernambuquinho na rua depois da meia noite. E foi as 14 horas e 30 minutos do dia 6 de fevereiro de 1973, no Bar Rio Jerez, em Copacabana, que uma bala atirada pelo português Artur Garcia Soares atingiu Almir na cabeça, com hemorragia das meninges e destruição parcial do tecido nervoso cerebral. Uma morte brutal, consumada com requintes de perversidade. O assassino não lhe deu oportunidade de defesa e o matou por motivo fútil. Uma discussão de bar que não teria maiores conseqüências se o português não estivesse armado. Artur Garcia Jerez ainda matou com dois tiros um amigo de Almir, o comerciante Alberto Ribeiro, e feriu o agente de investimento Elói de Lima, quando este tentava evitar sua fuga. Sepultado no Cemitério São João Batista, Almir recebeu as homenagens de amigos e familiares. Dona Dedé, mãe de Almir, perguntava junto ao corpo do filho: “Meus Deus, para que tanta glória ? Para que tanta glória em tão pouco tempo e um tempo tão longo de separação ? Preferia meu filho na obscuridade. Talvez assim ele ainda estivesse ao meu lado. A glória me roubou meu Almir”.
A foto mostra Almir indo para cima de 5 jogadores do Bangu, depois de terminar a partida, Almir tentou "melar" a volta olímpica do time no Carioca de 66.
Fonte: Livro - Eu e o Futebol
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