Dia de JoGo - O Blog de quem vive futebol

Blogue sobre a cultura do futebol. Aborda os mais diversos assuntos do jogo mais apaixonante do mundo. Na visão de quem vive o futebol desde a arquibancada.
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13.10.06

TERRA_PERMA_LINK 16:08:06, TERRA_CATEGORIES: Histórias do Futebol. TERRA_POSTED_BY Mauro Y. Generali kinjo

Histórias do Futebol - Parte 1

Um Mito Chamado Lara

Na década de vinte, quando as comunicações eram rudimentares, as histórias corriam de boca em boca e, mesmo não sendo verdadeiras, viravam verdades e se tornavam lendas. Foi assim que em muitos pontos do Rio Grande do Sul, o nome do Eurico Lara se tornou um mito. Durante muitos anos se acreditou que Lara morreu em pleno jogo, em um Gre-Nal, ao defender um pênalti cobrado por um irmão seu, jogador do Inter. Essa história não é verdadeira, mas Lara foi um mito. E virou um símbolo do Grêmio.

Nascido em Uruguaiana em 1898, passou a jogar futebol quando ingressou na vida militar. Mas era tão bom que, visto por Máximo Laviaguerre, teve sua reputação divulgada. Laviaguerre fez o seguinte relato à diretoria gremista “Em Uruguaiana há um goleiro tão bom que, quando  ele joga, seu time não perde”!

O Grêmio incumbe Luiz Assunção de trazer esse “fenômeno” para o clube. Foi difícil, pois Lara não queria deixar Uruguaiana, servia ao exército e inventou uma doença para não ser transferido. Mas o Grêmio tinha força e conseguiu um lugar para Lara na Carta Geral, em Porto Alegre. Começava a saga do goleiro de Uruguaiana, que chegou a ser tenente e acompanhou as forças revolucionárias na Revolução de 1930.

Toda a preocupação das elites gremistas para com um jovem humilde, foi derrubada quando Lara passou a mostrar seu jeito simples e educado. Em campo, era um fenômeno. Fazia defesas impressionantes pelo arrojo, e seu estilo foi aprimorado no Grêmio, quando deixou de defender a socos para dedicar-se às pegadas firmes. Lara também sabia fazer amigos e deixou como legado seu grande espírito esportivo.

Eurico Lara jogou no Grêmio de 1920 a 1935, quando faleceu. Em 1928 se desentendeu com o presidente do Grêmio e foi para o F. C. Porto Alegre, mas perdeu uma partida para o próprio Grêmio e voltou ao clube. Aos 37 anos foi internado na Beneficência Portuguesa com problemas cardíacos. Mas, antes de morrer, Lara deu a maior demonstração de amor por um clube. Multicampeão da cidade e do Estado, poderia ter deixado o Grêmio e ir tratar da sua saúde. Mas, em 1935, depois de recusar várias propostas durante anos para jogar no Rio e São Paulo, fez seu último ato de amor. Jogou a sua última partida em setembro de 1935, para dar mais um titulo ao Grêmio: o Campeonato Farroupilha. Lara já estava doente, mas seu clube precisava vencer aquele jogo contra o Internacional. A torcida sabia que Lara não poderia jogar, mas quando ele surgiu no gramado com a camisa azul, foi ovacionado pelos torcedores presentes. O Grêmio venceu por 2x0. Entretanto, em novembro do mesmo ano, o Rio Grande do Sul inteiro chorou sua morte. A lenda, porém, jamais morrerá.

 fonte: Museu dos esportes

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TERRA_PERMA_LINK 13:29:09. TERRA_POSTED_BY Mauro Y. Generali kinjo

Leão, o centro do universo

por Mauro G. Kinjo

Inacreditável a posição adotada pela maioria da imprensa esportiva no caso Leão vs. Carlos Alberto. Não ouvi uma linha se quer, dizendo que o técnico corintiano tirou da partida o melhor jogador do time paulista, e com isso enterrou todas as chances que o Timão tinha de virar a partida em Lanús.

É irritante a necessidade que o treinador Emerson Leão tem de chamar atenção e ser o principal assunto dos times que comanda. Não existe um clube que o ex-goleiro tenha dirigido que não sofreu com sua arrogância, e seu egocentrismo.

Logo após o jogo contra o Lanús, ao ser questionado sobre o caso, Leão prometeu punir o meia Carlos Alberto. “Não há nada para esconder. Houve uma insubordinação. Está definido e vamos resolver isso no Brasil. Acontece, mas não deveria acontecer. Já que houve, tomaremos uma atitude. Foi uma encrenca? Foi! Mas pode deixar que vamos resolver. Vamos resolver, e bem!”, afirmou.

A promessa foi cumprida. No dia após o jogo, Leão anunciou a suspensão temporária do jogador, que no futuro pode sofrer alguma punição. “O Carlos Alberto desrespeitou o treinador e a hierarquia, e está afastado até segunda ordem”, esclareceu Leão, que teve o aval da diretoria do clube em sua decisão.

A passagem de Leão pelo Corinthians me lembra sua primeira passagem pelo Palmeiras, onde o treinador disputava as atenções com o habilíssimo meia José Ferreira Neto. Leão não deixava o jogador terminar uma partida sequer, por melhor que ele estivesse em campo ele sempre o sacava. Até que o meia foi negociado com o Timão, e o Palmeiras perdeu a chance de ter em sua história de grandes jogadores, uma jóia tão rara como o talento de Neto. Caso muito parecido com a chegada de Leão ao Alvinegro Paulista. Depois de muita especulação, o técnico acertou seu contrato com o Timão que tinha como principal astro o argentino Carlos Tevez. Não deu outra, após algumas partidas com o novo técnico, Carlitos acompanhado de seu compatriota Javier Mascherano deixaram o Corinthians alegando indiferenças com o novo treinador.

Tevez, que com certeza é um dos maiores jogadores da história do Timão, saiu pela portas dos fundos, e acusado pela torcida de ser mercenário (para variar). Claro que estas coisas passam, e o futebol do argentino vai ficar para sempre. Isso até é normal. O que não é normal é que uma pessoa arrogante e preconceituosa como é Leão, não seja criticado e saia impune de todas as barbaridades que comete.

Agora que Leão é novamente o astro do elenco corintiano (já que o melhor jogador foi afastado novamente), ele pode seguir seu trabalho tranqüilo, já que sua imagem não será ofuscada por mais ninguém.

Leão já ganhou a guerra das vaidades.


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