

por Mauro G. Kinjo
Foi triste ver a derrota do São Paulo para o Boca na quinta-feira, dia 14 de setembro, pela final da Recopa Sul-americana. O clube que tem o melhor elenco do Brasil pode até passar por uma má fase, já que o empate ante o Corinthians com nove jogadores, teve o impacto de uma derrota no Morumbi.
Mas nada pode explicar a presença de 19 mil torcedores que foram apoiar o time em uma final de Copa Sul-americana. O que acontece? Esse não é um título importante? Para nós brasileiros pode até não ser, mas que lição nos deram os 2 mil argentinos, torcedores do Boca Jrs. que viajaram 36 horas de ônibus para ver, e incentivar sua equipe. Serviu de exemplo para nós, torcedores, e para nossa imprensa que não cansa de desvalorizar as competições que acabam sendo desprestigiadas apenas para nós brasileiros.
Os são-paulinos precisam se desprender desta fama de torcida que gosta de Libertadores. O torcedor tem que gostar do seu time, e acompanhá-lo principalmente quando o time vai mal. Não adianta colocar 70 mil contra o Chivas, e 13.438 pagantes contra o Internacional em um domingo a tarde, jogo que para muitos foi uma final antecipada do Brasileirão 2006.
É hora da torcida são-paulina mostrar aos rivais, que o peso de sua torcida não serve apenas nos jogos de Libertadores. Fazer com que os times que visitem o Morumbi sintam a pressão de jogar contra o São Paulo, e contra uma torcida que já mostrou que sabe incentivar e fazer festa nas horas boas. Agora só falta nas ruins.
Mauro G. Kinjo
O goleiro Fáio Costa do Santos é mesmo um fanfarrão. Após mais umas de suas falhas que permitiu o empate do Fluminense na Vila, o goleiro baiano foi agredido por torcedores da própria equipe, e revidou atacando os elementos com pedaços de vidro.
Para mim, é difícil tirar a razão de alguém nessa história. Os torcedores tem sua razão de criticar o goleiro, que além de ter jogado no rival Corithians, não cansa de engolir frangos. Por outro lado, Fábio Costa também tem razão em revidar as ofensas dos torcedores, já ele não tem sangue de barata. No decorrer dos fatos, os torcedores que se sentiram ofendidos pelo arqueiro, não deixam de ter sua razão de tirarem satisfação com o jogador, já que eles representam a Torcida Santista e não podem aceitar atitudes como a de Fábio Costa. E olhando o lado do goleiro, é difícil aceitar as criticas já que ele é um jogador é bi campeão brasileiro. Mesmo que com duas equipes extraordinárias, o Santos de Robinho e o Corinthians de Tevez.
O respeito não pode faltar nas duas partes mais importantes do futebol, jogares e torcedores, coisa que não aconteceu essa noite na Vila Belmiro. Mas não faltaram atitude e disposição para a torcida e o goleiro santista.
Mauro G. Kinjo
O torcedor brasileiro é uma espécie rara. Com características exclusivamente “brazucas”, o público que vai aos estádios tem uma maneira peculiar de se comportar. Mas, comparando os diversos tipos de torcedor, nos países em que o futebol é coisa séria, percebemos que não é só aqui que o torcedor tem um comportamento estranho.
Na Inglaterra os “ex-hooligans” são agora todos comportadinhos, não brigam, não invadem o campo, não xingam e as vezes cantam alguma música com letra infantil. Na Espanha os “aficcionados” não incentivam seu time e não invadem o gramado, mais adoram chamar os jogadores negros de macaco. Na Itália, os “tiffosi” são brigões, cantam ao estilo Pavarotti e adoram se pegar entre eles. Na Argentina os “barras” costumam se matar aos domingos, emboscar a torcida visitante, e quando o time está levando uma goleada, mais festa e incentivo vem das arquibancadas.
O torcedor brasileiro é distinto. Não se conforma com a derrota e sofre de aminésia futebolística, para ele o ontem não existe. O brasileiro não vai ver seu time jogar, vai ver seu time ganhar. E se a vitória não vir, as conseqüências são duras: derrubam o técnico, quebram estádio, xingam os jogadores, brigam ente eles e com a polícia.
O torcedor brasileiro necessita se conscientizar de qual é seu papel dentro de espetáculo. Não só no Brasil, mais como em todo mundo, o papel da torcida é simples: torcer e incentivar seu time e seus jogares. É claro que também tem a parte da cobrança, mas ela só deve ser aplicada em caso de falta de empenho.
Cada um age da forma que julga correto, ou da forma que determina sua cultura, o lugar onde nasceu. É a mesma coisa que querer do torcedor brasileiro se comporte como um europeu, impossível.
Mauro G. Kinjo
Foi surpreendente ver o quinto colocado do Brasileirão, o Vasco da Gama, cair tão facilmente em casa, ante o Corinthians de Emerson Leão na estréia dos dois clubes pela Copa Sul-americana. O placar de um a zero para o Timão, só não foi maior porque o árbitro da partida não viu que a cabeçada de Renato entrou. Sem falar das bolas na trave do arqueiro vascaíno.
Como pode um time tão limitado como o Vasco, estar nas primeiras posições do campeonato nacional, mesmo sem contar com uma grande estrela e nem se quer um bom elenco de jogadores? A resposta não está muito clara. É difícil ver algum mérito na ditadura que é imposta ao clube que Eurico Miranda representa. Porém, todos temos que admitir que um dos únicos técnicos que está a mais de um ano no cargo, é o vascaíno Renato Gaúcho. E o bom campeonato que o clube carioca vem fazendo, pelo menos até agora, é apenas um reflexo do trabalho que Renato pode aplicar em São Januário.
É claro que o Vasco não é um clube modelo, e que seus cartolas não são os mais confiáveis do futebol brasileiro. Mas a imprensa que tanto critica a interminável “gestão” Eurico Miranda, não pode fechar os olhos para o fato de o Vasco ser um dos poucos times brasileiros em que o técnico tem segurança e tranqüilidade para trabalhar, e não se pergunta após cada derrota: será que hoje eu vou ser demitido?
O caso do Vasco serve de modelo para todos, sem exceção. Nenhum técnico consegue mostrar o seu verdadeiro valor se não tiver uma seqüência de trabalho, e tranqüilidade para colocar em prática tudo o que sabe. Para os torcedores, fica também a lição de que todo o elenco, incluindo a comissão técnica, necessita única e simplesmente de apoio e incentivo. Uma mudança de técnico no meio do campeonato, pode até trazer um alívio imediato, mas apenas adia o trabalho da direção de procurar alguém com competência suficiente para iniciar e terminar um campeonato.
Enquanto houver essa cultura de ser normal o clube ter dois ou três técnicos por torneio, iremos continuar sem saber quais realmente são os técnicos capazes de formar uma grande equipe.